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Wallmart acha que somos idiotas – compras coletivas

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Wallmart coloca uma promoção no site de compras coletivas www.ofertas.com.br que diz assim: “OFERTA do Wall Mart para você registrar os melhores momentos da vida: Câmera Digital GE A-1455 com 14 Mega Pixels Preta, de R$ 499,00 por R$ 229,00″. Poxa, que legal… penso!… Como minha curiosidade é maior vou até o BUSCAPÉ para certificar o preço da camera http://compare.buscape.com.br/general-electric-smart-a1455-14-1-megapixels.html?pos=2

Para minha surpresa o Wallmart não vende a máquina por R$ 499,00 e sim por R$ 241,30, tendo na Ricardo ELtro o menor preço que saí por R$ 224,10

Parabéns Wallmart por achar que o consumiro é idiota.

O nome Bloco de Carnaval já deveria ser inutilizado

domingo, 6 de março de 2011

Você sabe o que é mamãe sacode ou mortalha? Bom, se você nunca viu ou ouviu falar nisso significa que nasceu após 1990. Mamãe Sacode é uma peça muito utilizada para promover animação, é tipo um pompom colorido que as pessoas seguram com as mãos e balançam com toda energia. Aqui no Carnaval de Salvador, infelizmente, estas peças estão em algum museu. O desuso começou quando a utilizavam como arma, pois o cabo era de madeira e machucava muito. Depois substituíram por um suporte de plástico, foi diminuindo de tamanho para baixar as despesas, até o ponto do esquecimento. E a Mortalha? Esta é a avó do abadá. Quem diz que inventou o abadá o defende como uma das maiores invenções da humanidade. Ele ainda não sabe, mas quando o fez, conseguiu descaracterizar por completo uma festa onde a fantasia não ficava apenas na mente dos foliões. O uniforme, fantasia ou a mortalha fazia parte da identificação cultural do Carnaval. A morte da mortalha se iniciou com a chegada dos turistas em Salvador que como não agüentavam o calor sobre o tecido de algodão cortavam o pano. Desta forma a mortalha foi diminuindo, diminuindo e diminuindo até um cidadão fazer o obvio e criar uma camisa – abadá.
A verdade é que o impacto visual que as mortalhas e a mamãe sacode causava era o que realmente representava a energia e alegria do baiano. Sim, acredite, o carnaval de Salvador, uma vez, já foi feita por baianos. Hoje somos coadjuvantes. Quem viu um bloco virando a curva do campo Grande com aquela energia incrível não se esquece nunca. Quem não viu não sabe o que é Carnaval. Era bonito de se ver.
Antigamente você identificava o bloco pela mortalha. Hoje quase nenhum bloco procura explorar mais a fantasia. Os Filhos de Gandhy, por exemplo, conseguem se manter em destaque graças ao impacto visual das vestes dos componentes – o tapete branco da paz. Basta liberar ajustes ou a implantação de novos acessórios para você ver a força do bloco se despir literalmente. Como já dizia a avó de um chinês amigo meu: “Imagem é tudoâ€.
A verdade é que tiraram o holofote do povo e colocaram nos trios, nas marcas que patrocinam e nos artistas. O povo nos blocos e camarotes, na maioria turistas, não consegue representar a energia cultural do Carnaval baiano e só resta para quem exibe imagem focar em outros pontos. A imagem da TV, hoje, é feia, chata e não traz nada de novo. Veja a quantidade de marcas que estão na frente dos blocos. Os balões chegam a brigar por um espaço na telinha.
O nome “bloco de Carnaval†deveria ser substituído, pois foi dado ao grupo de pessoas que saiam atrás de um trio e já não corresponde mais a realidade, uma vez que de longe você já não identifica diferença de quem está dentro ou fora da corda. Esta identificação só ocorre quando a camisa dos cordeiros são coloridas.
Em breve, seguindo esta tendência, os artistas deverão sair vestindo um macacão tipo o de piloto de F1. As marcas estarão espalhadas pelo seu corpo, pois o Carnaval estará tão feio e poluído que a única opção será focar apenas no artista. E o Carnaval? Ah! Este já deixou de ser feito por baianos e para baianos há muito tempo.

Qual nome você daria para os atuais “Blocos de Carnaval”?

Aos turistas, o jeitinho baiano de dirigir.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vindo à capital da Bahia a passeio e tendo que se adaptar ao jeitinho baiano de dirigir, não se assuste. Em Salvador você verá atrocidades; você duvidará que o motorista que violentamente insiste em lhe expulsar da pista goza de boa saúde mental; você não entenderá como nós soteropolitanos, famosos no mundo por não se estressarem, nos transformamos em seres raivosos quando estamos ao volante. Não fazemos por maldade, guiamos preocupados apenas com o centro do universo, nós mesmos, os baianos, os piores motoristas do Brasil. As lições vão lhe ajudar no trânsito de Salvador.

Antes de começar, lembramos que o baiano gosta de imitar os Ingleses. Assim, eles decidiram que, nas pistas de mão única, a faixa de velocidade é a da direita. Não se assuste ao ver uma fila de automóveis andando a menos de 10 Km/h, toda ela na faixa da esquerda, parecendo uma Procissão. Não pense duas vezes: Dê uma guinada à direita e pé no fundo. Pode ultrapassar. Pode até usar o acostamento da direita que é permitido.

1ª Lição: Faixas Inúteis . A pintura de faixas, quando existe, não serve para absolutamente nada. Nós não sabemos exatamente para que a via foi dividida em faixas. Passamos de uma faixa para outra, rodamos sobre as faixas “seguindo os pontinhos†como se não quiséssemos nos perder… e em qualquer curva preferimos a tangente, mesmo que a faixa ao lado esteja ocupada por algum “lesoâ€. Acostume-se, esqueça as faixas, sinta-se livre.

2ª Lição: Parar Já . Paramos onde e quando precisamos; às vezes até ligamos o pisca alerta. Todos podem esperar um pouco. Na rua onde mal passa um carro, que diferença podem fazer cinco ou dez minutos parado até que “voinha†desça da casa de “mainha� Se o carro da frente parar, tenha paciência, espere até que ele decida seguir ou, também é permitido, buzine alucinadamente para extravasar sua raiva, sabendo que não vai adiantar. Desconte no próximo, pare também onde e quando quiser, aqui pode.

3ª Lição: Setas Invertidas . Não temos idéia do que passava na cabeça de quem colocou aquelas luzinhas amarelas que piscam quando nossos filhos mexem naquela alavanca inútil que fica próxima ao volante.. Às vezes acionamos sem querer a luzinha que pisca na esquerda ou na direita. Se desejamos ir para a esquerda, vamos, não importa se a tal luz amarela está piscando, muito menos se pisca do lado certo. Seta é coisa de carioca “ispertoâ€, nós não precisamos de seta para guiar. Nunca sinalize em Salvador, você poderá desviar a atenção do baiano que vai ao seu lado.

4ª Lição: Meter o Terço . Metendo um terço do seu carro na frente do baiano que teria a preferência você automaticamente obriga-o a ceder em seu favor. Meta o terço em qualquer situação: em cruzamentos perigosos, ao entrar em vias rápidas, quando quiser passar à frente de algum otário, enfim, meter o terço lhe garante vantagem indiscutível. É possível que às vezes ocorra uma pequena batida, coisas da vida. Se bater saia do carro e comece a bater papo com o outro baiano. Vocês acabarão descobrindo que são parentes ou que têm amigos em comum: “Você num é irmão do Tinho? Não, sou primo. Rapaz, cê parece dimais com ele, é escrito e escarrado. Como tá Inha, cunhada do Tinho? â€

5ª Lição: Emparelhar . Fique sempre ao lado de algum carro. Se ele acelerar, acelere também. Se reduzir a velocidade, reduza e permaneça “emparelhadoâ€. Emparelhar deixa o baiano seguro. Vá juntinho, melhor seguir acompanhado. Se atrapalhar quem vem atrás não se avexe, quem quiser passar que passe. É isso mesmo, às vezes a oitenta por hora, ou a vinte, os baianos adoram andar emparelhados… e só Deus sabe o motivo.

6ª Lição: Dois Dedos . Dois dedos é a distância normalmente mantida por um bom motorista baiano do carro da frente. Colado, bem juntinho. Achamos que assim é possível aproveitar ao máximo o espaço disponível em nossas ruas. Outra vantagem em manter dois dedos do carro da frente é mostrar que estamos com pressa, que o carro da frente deve se apressar. Não importa se o motorista da frente não está atrasado como um bom baiano. O que importa é seguir colado. Não se perca, siga sempre a dois dedos do carro da frente.

7ª Lição: Fila é Para Otário . Em qualquer conversão, onde normalmente só caberia um carro, nós baianos fazemos a fila dupla, tripla, às vezes dá até para a quarta fila. Nunca espere o leso que está aguardando pacientemente a conversão, fila é para otário. Passe à frente, meta o terço, tome a preferência da conversão à força. Quem quiser que buzine.

8ª Lição: Buzina no Sinal Verde . Nós, baianos, há muitos anos disputamos o campeonato de acionamento de buzina após a abertura do sinal. Aguarde o sinal verde com as duas mãos prontas para acionar violentamente a buzina do seu carro. O recorde é de Toinho, irmão de Ninha, dois centésimos de segundo após a luz verde. Capriche na buzina, rápido, mesmo que você esteja sem pressa, mesmo que buzinar não faça nenhum sentido..

9ª Lição: Lixo no Carro Não . É, é isso mesmo que você forasteiro está pensando. Nos nossos carros baianos não pode ter lixo. Vai tudo pela janela: latinha de cerveja, fralda suja, palito de picolé, ponta de cigarro, garrafa pet. Somos muito asseados, lixo no carro não. Quem quiser que varra a rua. Acostume-se e, se do carro da frente for jogado algum objeto grande, desvie sem reclamar.

10ª Lição: O Retorno É Aqui . Nas ruas de Salvador é possível retornar em qualquer lugar. Gire o volante e, se couber, ótimo. Se não “deu jogo†dê uma rezinha rapidinha e complete a manobra. Quem quiser que espere ou se bata. Quem procura retorno é otário. Não se assuste de depois da curva der de cara com uma D20 atravessada na pista, manobrando para retornar a dez metros do retorno correto.

Boa sorte no trânsito de Salvador. Antes que eu esqueça: para dirigir em Salvador você não precisa, necessariamente, olhar para frente. Converse olhando sempre para o carona. Fale ao celular, leia, procure coisas no porta-luvas, enfim, descontraia, crie você mesmo suas regras de trânsito.

—FONTE: recebi este email de um irmão, mas não identifiquei o autor.