Mercado promocional baiano: simples análise para um grande futuro

O mercado de comunicação da Bahia passa por diversas transformações importantes. Para esclarecer parte desta mudança, e mais direcionada ao setor em que estou inserido, volto ao passado, há exatos 10 anos, onde as ferramentas e as práticas promocionais sempre eram vistas como coadjuvante ao processo de comunicação e vivia espremida na periferia dos planos de marketing das empresas da capital baiana. Vale ressaltar que praticamente 100% (ou bem próximo disso) da verba destinada à comunicação eram concentradas nas mãos de agências de propaganda que como verdadeiro mercado monopolista e ditador não permitiam que algumas ações fossem executadas. Primeiro porque isso tiraria uma fatia importante da verba destinada para TV, por sinal é o que as mantém, e segundo porque não tinham o mínimo de conhecimento da importância de tais ferramentas.

Uma das poucas práticas que eram realizadas com certa independência eram as ações em PDV, no ponto de venda, que consistiam basicamente na contratação de mão-de-obra especializada. Como o nome já diz, a forma de se desprender da agência de propaganda é a busca por especialização. A agência de propaganda é generalista por natureza. Dentre estas especializações estão as empresas de assessoria de imprensa, rp, web e promoção. Este novo mercado digital, WEB, por exemplo, sofreu bastante até chegar ao ponto atual. Defendo aqui a necessidade da busca do aprimoramento e da inovação, algo que só é possível, na minha opinião, com foco. Diversas são as agências de propaganda que possuem um setor destinado para o mercado digital e pouquíssimas são as que tem sucesso. Quando digo pouquíssima chego a ser muito otimista.

Com o mercado promocional não foi diferente. O período recente e crítico da área econômica nos EUA que se iniciou em 2008 mostrou às empresas mundiais que existiam outras formas de se comunicarem, talvez um pouco diferente, mas tão eficaz quanto as velhas práticas do marketing interruptivo, como o uso da TV. As agências começaram a perceber que a fatia deste bolo começou a diminuir e, ao invés de estimularem a contratação de empresas já existentes, passaram a montar também, em suas dependências, uma estrutura simplificada e com pouco poder de produção, para não “perder” a verba do seu cliente.

Qual a grande vantagem desta ação? Nenhuma. Simplesmente as agências ignoram a sua principal função que é de AGENCIAR, não permitindo assim que o mercado se especialize e ofereça soluções cada vez mais otimizadas aos problemas dos seus clientes além de continuar engessando toda uma cadeia de inovação e criatividade, a qual já sofre nos dias atuais.

O mercado promocional baiano, por sua vez, vem crescendo a cada ano e ganhando a atenção dos empresários e profissionais de Marketing das grandes empresas. Infelizmente não o faz de forma organizada e com objetivos claros, mas já demonstra sinais de maturidade. As associações existentes como a AMPRO e ABMP não traduzem em nenhuma das ações as reais necessidades das agências promocionais da Bahia. Alguns problemas são partilhados por todas as agências e o mercado precisa se organizar para: discutir problemas com a contratação e formação de mão-de-obra para eventos e promoções, definir regras e estimular a contratação via concorrência por grandes contas, intervir no excesso de contratação via job e estimular a contratação dentro de um planejamento, elevar a questão da justa concorrência, estimular a contratação direta das agências de promoção por parte dos clientes, estimular a formação de sindicato de profissionais da área de eventos e promoção além de outras questões também importantes.

Espero muito que o mercado de promoção se reúna e procure a sua organização o mais rápido possível, pois este é o setor que mais cresce na área da comunicação.

Por Claudio Nossa, diretor da Inpromo – Inteligência Promocional
claudio@inpromo.com.br