Você sabe o que é mamãe sacode ou mortalha? Bom, se você nunca viu ou ouviu falar nisso significa que nasceu após 1990. Mamãe Sacode é uma peça muito utilizada para promover animação, é tipo um pompom colorido que as pessoas seguram com as mãos e balançam com toda energia. Aqui no Carnaval de Salvador, infelizmente, estas peças estão em algum museu. O desuso começou quando a utilizavam como arma, pois o cabo era de madeira e machucava muito. Depois substituÃram por um suporte de plástico, foi diminuindo de tamanho para baixar as despesas, até o ponto do esquecimento. E a Mortalha? Esta é a avó do abadá. Quem diz que inventou o abadá o defende como uma das maiores invenções da humanidade. Ele ainda não sabe, mas quando o fez, conseguiu descaracterizar por completo uma festa onde a fantasia não ficava apenas na mente dos foliões. O uniforme, fantasia ou a mortalha fazia parte da identificação cultural do Carnaval. A morte da mortalha se iniciou com a chegada dos turistas em Salvador que como não agüentavam o calor sobre o tecido de algodão cortavam o pano. Desta forma a mortalha foi diminuindo, diminuindo e diminuindo até um cidadão fazer o obvio e criar uma camisa – abadá.
A verdade é que o impacto visual que as mortalhas e a mamãe sacode causava era o que realmente representava a energia e alegria do baiano. Sim, acredite, o carnaval de Salvador, uma vez, já foi feita por baianos. Hoje somos coadjuvantes. Quem viu um bloco virando a curva do campo Grande com aquela energia incrÃvel não se esquece nunca. Quem não viu não sabe o que é Carnaval. Era bonito de se ver.
Antigamente você identificava o bloco pela mortalha. Hoje quase nenhum bloco procura explorar mais a fantasia. Os Filhos de Gandhy, por exemplo, conseguem se manter em destaque graças ao impacto visual das vestes dos componentes – o tapete branco da paz. Basta liberar ajustes ou a implantação de novos acessórios para você ver a força do bloco se despir literalmente. Como já dizia a avó de um chinês amigo meu: “Imagem é tudoâ€.
A verdade é que tiraram o holofote do povo e colocaram nos trios, nas marcas que patrocinam e nos artistas. O povo nos blocos e camarotes, na maioria turistas, não consegue representar a energia cultural do Carnaval baiano e só resta para quem exibe imagem focar em outros pontos. A imagem da TV, hoje, é feia, chata e não traz nada de novo. Veja a quantidade de marcas que estão na frente dos blocos. Os balões chegam a brigar por um espaço na telinha.
O nome “bloco de Carnaval†deveria ser substituÃdo, pois foi dado ao grupo de pessoas que saiam atrás de um trio e já não corresponde mais a realidade, uma vez que de longe você já não identifica diferença de quem está dentro ou fora da corda. Esta identificação só ocorre quando a camisa dos cordeiros são coloridas.
Em breve, seguindo esta tendência, os artistas deverão sair vestindo um macacão tipo o de piloto de F1. As marcas estarão espalhadas pelo seu corpo, pois o Carnaval estará tão feio e poluÃdo que a única opção será focar apenas no artista. E o Carnaval? Ah! Este já deixou de ser feito por baianos e para baianos há muito tempo.
Qual nome você daria para os atuais “Blocos de Carnaval”?